como você lida com críticas?
quando vejo um filme baseado em fatos reais vou logo ler para saber qual parte é real e qual não é. quando vejo filmes muito bons vou ler sobre eles, sobre a inspiração da equipe (roteiro, direção, fotografia), histórias da produção, comentários dos atores. e, claro, me deparo com as críticas.
você já parou para pensar no trabalho que dá para produzir algo? seja um risoto ou um filme de 3h de duração. é trabalho, existe dedicação, preparo, esforço, criação. precisa de coragem para colocar sua voz no mundo, de força para materializar a sua voz. precisa de gente, de dinheiro, de tempo. precisa de, sobretudo, vida.
mas muitas das críticas que se encontra facilmente na internet é: gostei, não gostei, aquele personagem não deveria ter morrido ou aquela cena foi desnecessária. vamos combinar: cortar uma cena ou outra depois de um filme inteiro pronto não é exatamente o que podemos chamar de difícil.
outro dia vi um filme com uma trama ancestral extremamente forte e delicada (nunca deixe de lembrar, netflix) e uma das críticas que li era, justamente, sobre a “chatice” dessa parte - o crítico em questão “achou” que deveria focar mais na “arte”, segundo a visão obtusa dele, a parte essencial do filme.
mas nem tive vontade de lhe escrever explicando que a arte não precisa sempre falar de si mesma, que um artista (por ser um ser humano) é impactado pela sua biografia, bem como pela história dos seus ancestrais.
segui lendo as críticas desse filme e elas me fizeram pensar que é muito mais fácil falar do que fazer.
é muito mais fácil criticar do que elogiar.
é muito mais fácil refutar o que não conhece do que se abrir para conhecer.
é muito mais fácil deixar o cérebro reproduzir o que já viu do que se permitir ser transpassado por outras ideias.
é mais difícil produzir, é mais difícil se expor, é mais difícil elogiar. mas é mais vivo.
decidi que prefiro seguir sendo trabalhando, mesmo sendo criticada - afinal, a crítica fala mais de quem escrever do que quem a recebeu.
e você, como lida com as críticas feitas/ recebidas?
um grande abraço, Carol.


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